quinta-feira, 9 de setembro de 2010

MÉTODO

CIÊNCIA


A Ciência se faz quando o pesquisador aborda os fenômenos aplicando recursos técnicos, seguindo um método e apoiando-se em fundamentos epistemológicos (Antônio J. Severino)

Na obra Metodologia do Trabalho Científico*, capítulo 3 intitulado O Método como caminho do conhecimento científico, Antônio Joaquim Severino (2007) salienta os elementos que compõe o método. Segundo Severino, vários procedimentos fazem parte da prática científica. São eles:

Procedimentos de observação do fenômeno (objeto de estudo);
• Procedimentos de experimentação;
• Procedimentos de registros;
• Procedimentos de coleta de dados;
• Procedimento de registro de fatos e levantamentos;
• Procedimentos de identificação e catalogação de documentos (históricos e/ou geográficos);
• Procedimentos de cálculos estatísticos e de tabulação;
• Procedimentos de entrevista, depoimentos e questionários
.


Para Severino, o caráter operacional de todos esses procedimentos está diretamente ligado às aplicações de atividades operacionais e técnicas, isto é, uma infinidade de aparelhos tecnológicos que caracterizam os laboratórios.

No entanto, esses procedimentos junto com as tecnologias não são utilizados à revelia, muito pelo contrário, o pesquisador (observador) deve seguir um plano de utilização e cumprir um roteiro preciso e pré-determinado. Para tanto, deve-se pesquisar em função de um método.

Para Severino:

“ (...) não basta seguir um método e aplicar técnicas para se completar o entendimento do procedimento geral da ciência (...)”.


Isso significa que a aplicabilidade e os procedimentos ocorrem em detrimento de um método estabelecido para se trilhar caminhos adequados à pesquisa que se pretende realizar. Fazem parte do método:


Fundamento Epistemológico;
• Observação dos fatos (percepção);
• Problematização
• Formulação de hipóteses (abdução);
• Verificação experimental (teste da hipótese);
• Lei Científica (hipótese confirmada);
• Teoria (fundamento/arcabouço teórico)
• Método de raciocínio lógico: dedução e indução;
• Método analítico-comparativo;
• Paradigmas Epistemológicos como fundamentação e metodologia de pesquisa (funcionalismo, estruturalismo, positivismo, determinismo, evolucionismo, fenomenologia, hermenêutica, dialética etc);
• Tipos de pesquisa.



Severino (2007) traz vários conceitos e exemplos desses paradigmas epistemológicos e inclui vários conceitos acerca da totalidade, historicidade, complexidade, dialeticidade, praxidade, cientificidade e concreticidade. (Ver Metodologia do trabalho Científico, p.116)

Para Severino, a ciência é o enlace de uma malha teórica com dados empíricos: “ (...) é sempre uma articulação do lógico com o real, do teórico com o empírico, do ideal com o real”.

Em pesquisa, a relação do objeto observado com o observador deve gerar alguns pressupostos, pois implica questionamentos. Qual a contribuição de cada pólo desta relação: sujeito observador e objeto observado? Severino diz que:

"(...) o resultado do conhecimento é determinado pelo objeto, exterior ao sujeito ou, ao contrário, o que se conhece é mais a expressão da subjetividade do pesquisador do que o registro objetivo da realidade? O método científico é fundamental no processo do conhecimento realizado pela ciência para diferenciá-la não só do senso comum, mas também das modalidades de expressão subjetivas, como filosofia, religião e arte. Trata-se de um conjunto de procedimentos lógicos e de técnicas operacionais que permitem o acesso às relações causais constantes entre os fenômenos (...)"

MÉTODO DE ATIVIDADE DO PESQUISADOR (revisão):

A percepção de uma situação problemática que envolve um objeto é o fator que desencadeia a indagação científica. (A. J. Severino)

1) Observação dos fatos;
2) Esquema de percepção;
3) Problematização (causa dos fenômenos observados);
4) Formulação de hipóteses;
5) Verificação Experimental;
6) Teoria (lei mais abrangente
).


Observe, com atenção, o que cada item significa no todo da pesquisa:

Hipótese é e proposição explicativa provisória de relações entre fenômenos, a ser comprovada pela experimentação. Se confirmada, vira lei. Formulada a hipótese, o cientista volta ao campo experimental para verificá-la.

Segundo Severino (2007), “(...) este é o momento da verificação experimental. Isolam-se, em condições laboratoriais, as variáveis que se supõem em relação e observa-se o seu comportamento. Trata-se de um princípio geral que unifica uma série limitada de fatos: vários fatos particulares se explicam mediante um único princípio que dá conta assim de uma multiplicidade de fatos”.

Para Sílvio luiz Oliveira (2005, p.23), a hipótese “... é uma afirmação que se faz na tentativa de verificar a validade de respostas existentes num problema...”


Na concepção de Délcio Vieira Salomon (2002), hipótese é uma suposição que antecede aos fatos:

A hipótese antecede a constatação dos fatos e tem como caracterísitca uma formulação provisória, deve ser testada para que a validade seja determinada.

Correta ou errada, de acordo ou contrária ao bom senso comum, a hipótese sempre conduz a uma verificação empírica. A função dela, na pesquisa científica é propor explicações para certos fatos e ao mesmo tempo orientar a busca d eoutras informações.

A clareza da definição dos termos da hipótese é condição de importância fundamental para o desenvolvimento da pesquisa. (SALOMON, D.V. Como fazer uma monografia, p.72)

Entra em cena, nessa fase, a teoria, uma espécie de lei mais abrangente. Teoria é um conjunto de concepções, sistematicamente organizadas que se propõe a explicar um conjunto de fatos cujos subconjuntos foram explicados pelas leis.

Para Severino (2007), o método científico é um método experimental/matemático. O momento experimental trata da fase indutiva, e o momento matemático, da fase dedutiva. Indução e dedução são duas formas de raciocínio. Observe os conceitos e os exemplos de cada raciocínio:

Indução

Procedimento lógico (raciocínio) pelo qual se passa de alguns fatos particulares a um princípio geral. Trata-se de um processo de generalização, fundado em pressupostos do determinismo universal.

Dedução

Procedimento lógico (raciocínio) pelo qual se pode tirar uma ou várias proposições (premissas) e uma conclusão que delas decorre por força lógica. A conclusão segue-se das premissas. Parte-se do geral dos fatos e particulariza-o.

Vejamos o que Severino (2007) diz sobre esses dois raciocínios:

“Quando se passa dos fatos à lei, mediante hipóteses, trabalha-se com a indução; quando se passa das leis às teorias ou das teorias aos fatos, trabalha-se com a dedução”.

O raciocínio consiste em se servir do que se conhece para descobrir o que se ignora. Há, portanto, verdades universais e verdades menos universais, que são as singulares. No raciocínio dedutivo, parte-se de um pensamento universal em busca do universo singular, no raciocínio indutivo é o contrário disso, parte-se do pensamento de verdades singulares em busca de uma verdade universal. Exemplos:


• Tudo o que é espiritual é incorruptível
Ora, a alma humana é espiritual
Conclusão: a alma humana é incorruptível


• Sócrates é mortal
Sócrates é homem
Todos os homens são mortais


• Todos os homens são mortais
Sócrates é homem
Logo, Sócrates é mortal


• O calor dilata o ferro, o cobre, o bronze e o aço
Ferro, cobre, bronze e aço são metais
Logo, o calor dilata todos os metais


• Todo círculo é redondo
Ora, nenhum triângulo é redondo
Logo, todo triângulo não é círculo

• Cleópatra é mulher
Cleópatra suicidou-se
Logo, todas as mulheres são suicidas


• Carlos é homem
Carlos é calvo
Logo, todos os homns são calvos


• Todos os homens são calvos
Carlos é homem
Carlos é calvo


Descartes e o Método


Penso, logo, existo! (Descartes)

A história registra o filósofo francês René Descartes como o primeiro estudioso do método. Insatisfeito com a educação e as disciplinas que eram ministradas na época (século XVII), resolve largar tudo e viajar para vivenciar experiências, alegando que não se podia refletir, nem problematizar questões concernentes aos estudos, muito menos na observação dos fenômenos:

"Não encontramos aí nenhuma coisa sobre a qual não se discute". Só as matemáticas demonstram o que afirmam. As matemáticas agradavam-me sobretudo por causa da certeza e da evidência de seus raciocínios. Mas as matemáticas são uma exceção, uma vez que ainda não se tentou aplicar seu rigoroso método a outros domínios”.

Para Descartes, a matemática era a única disciplina que poderia ser experimentada e demonstrada, mas, o ensino escolástico** nada fazia evoluir. Por essa razão, escreve o conhecido Discurso sobre o Método, prefácio de três estudos finalizados em obra científica: A Dióptrica, Os Meteoros e A Geometria de 1637. Hoje, as três obras são praticamente desconhecidas dos estudantes , mas, o Discurso sobre o Método permanece e pesquisadores das ciências não iniciam métodos, antes de conhecer Descartes.

René Descartes nasce na França, em La Haye, povoado da Touraine, pequeno domínio do Poitou (desse nome que vem o título de fidalgo poitevino ou Senhor de Perron), em 1596, e morre em 1650, em Estocolmo, ensinando metodologia à Rainha Cristina. Não consegue conviver com as baixas temperaturas do lugar e contrai pneumonia, recusa-se a tomar remédios e a frazer sangrias dizendo: “Poupai o sangue francês, Senhores!”

Alguns anos depois, seu corpo é levado a França, mas o rei Luís XIV não permite que ele seja homenageado nem que receba cerimoniais fúnebres. A Igreja Católica lança todos os livros do filósofo no Índex**.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BOMBASSARO, Luiz C. As fronteiras da Epistemologia: como se produz o conhecimento. Petrópolis: Vozes, 1994.
CARVALHO, M. Cecília de. (Org.) Paradigmas filosóficos da atualidade. Campinas: Papirus, 1989.
DESCARTES, René. Discurso sobre o Método. São Paulo: Martin Claret, 1989.
OLIVEIRA, S. L. Tratado de Metodologia Científica. São Paulo: Cultrix, 2000.
SALOMÃO, Délcio Vieira. Como fazer uma monografia. Belo Horizonte: Interlivros, 1973
SEVERINO, A. J. Metodologia do Trabalho Científico. 23ª. ed., São Paulo: Cortez, 2007



NOTAS:

__________________________________ .
* SEVERINO, A. J. Trabalho de Metodologia Científica. Capítulo III, p. 99
** Índex : Índex Librorum Prohibitorum (Índice dos livros proibidos).
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Arte, Comunicação e Jornalismo

Jornalista, escritora, docente, mãe e, principalmente, avó de João e Letícia

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Vânia Coelho é jornalista e docente no curso de Jornalismo. Adora literatura e é leitora de Machado de Assis, Guimarães Rosa, Caio Fernando Abreu, Marcelino Freire, Fialho de Almeida, James Joyce, Marguerite Duras, Vergílio Ferreira, Fernando Pessoa, Virgínia Woolf entre outros
 
 Autora dos livros: Aspectos Teóricos Teóricos da Linguística, Ritos Encantatórios, Costureira dos Malditos, a peça de teatro Café com Sartre, os contos O velho e a Moça; Querida, eu te amo; Saigon; Pássaros que sobrevoam os ares de Hiroshima; Das trevas à luz.  Resenhas do poema "O Corvo" de Edgar Allan Poe e do filme francês A elegância do Porco Espinho de Achache. Escreveu o primeiro  romance "Os Inocêncios"  (2012).
 
Mãe da cantora Nanda Coelho e do comerciante Rafael Coelho, pai de seus dois netos.
 
Orientadora de TCC no curso de Jornalismo, cuja produção trata de uma grande reportagem no formato impresso (livro-reportagem)
 
Escreve, atualmente, uma antologia de contos.